O início
Esta posso garantir que foi uma grande aventura. Bastante divertida, um passeio daqueles que realmente me motivam nestas andanças do BTT. Foram 5 dias a pedalar com mochila às costas seguindo um track, com objectivos diários de chegar aos destinos reservados para a pernoita.
Deste grupo espectacular fizeram parte 3 membros dos CBT (Casa do Benfica de Tomar) Vitor Campos, Rui Martins, David Ramalhete e eu que não necessito de apresentações :)
O trabalho de casa coube ao Rui Martins, divisão do percurso, reserva das pernoitas, etc... assim à distância foi um trabalho sem nada a apontar e a ele temos que agradecer pela sua disponibilidade em tê-lo feito pois a nós coube-nos apenas e só pedalar :)
Etapas / Distância / Acumulado
Estes foram os dados que o meu GPS acusou ao fim de cada etapa e inclui desvios da rota pois por vezes a fome obrigou-nos a isso pelo que convém andar sempre prevenido com algo mais substancial como uma sandes de presunto/carne e alguma fruta na mochila.
Nestes passeios longos (por etapas) eu considero que o primeiro e o ultimo dia são os mais excitantes. O primeiro por estar cheio de adrenalina para começar, as forças estão ao rubro, os sentidos atentos a tudo o que nos rodeia e as adversidades superadas com maior discernimento. O ultimo dia é o da "consagração", venha o que vier, estamos por tudo pois percorremos um longo caminho e não queremos "morrer na praia", por instantes deixamos de sentir que o corpo está cansado e voltamos a encher-nos de energia...o peso da mochila rapidamente nos devolve à realidade LOL
1º Dia
Sendo um percurso circular o ponto de partida/chegada foi Castelo Novo, escolhido pela sua proximidade com a A23.

Do 1º dia recorda-me os imensos portões que tivemos que abrir ao passarmos de propriedade em propriedade e algumas vedações que tivemos que saltar.

O inverno deve ter sido muito bom pois o imenso gado que vimos estava bem alimentado e por vezes no caminho.


Uma primeira parte bastante rolante levou-nos a passar por Proença a Velha, Idanha a Velha e permitiu-nos progredir rapidamente no terreno até ao desafio da subida da calçada romana para Monsanto.

Monsanto no horizonte

Depois de ter perdido um bidon e como não levava saco de hidratação sempre que podia aproveitava para atestar pois com o calor que estava era muito importante não ficar sem hidratação, mesmo que a água fosse de fonte duvidosa LOL

Os estradões continuavam


Depois de andarmos tantos kms sempre com Monsanto no horizonte e a duvidar se de facto iríamos lá "acima" eis que chegava a confirmação.

Depois de termos feito uma dura subida em calçada romana e de dificuldade elevada chegavamos a Monsanto e estavamos bastante satisfeitos. Ainda íamos a meio da etapa deste dia.
O calor acompanhou-nos durante toda a travessia com temperaturas acima dos 30-35 Cº e em alguns locais/hora do dia rondaram os 40Cº. Já não me lembra como mas a certa altura deste 1º dia todos chegámos ao limite da reserva de água e a solução foi pedir numa casa junto ao trilho...muito obrigado!

O pequeno-almoço
Apesar de este ser teoricamente o dia menos duro da travessia mesmo assim optámos por partir cedo para aproveitarmos melhor a parte da tarde, de preferência a tomar uns banhos em alguma praia fluvial...
O primeiro contacto com o selim logo pela manhã foi extremamente penoso, diz-se que quem corre por gosto não cansa e essa é a pura das mentiras porque cansa, ficamos todos doridos e em alguns casos bastante assados!
Os primeiros kms do dia foram rolantes pelo facto de termos optado por fazer por alcatrão o desvio que tinhamos feito até Sortelha (cerca de 8km) e que já não tinha nada de novo para ver e assim em menos de 1h chegamos a Sabugal.Sabugal à vista

Passagem por Sabugal

O "Talegas" - David Ramalhete

Mais uns kms a rolar para novamente descermos ao "buraco". Desta vez, até à
Ponte Grande sobre o rio Côa

Reparem no verde carregado da água


3º Dia
O pequeno-almoço foi bastante reforçado pois sabia que este iria ser um longo dia e como na véspera até fizemos algumas compras em excesso acabamos por deixar coisas para trás.
A manhã acordou bastante cinzenta e muito mais fresca que o habitual mas não tardou muito a que se pusesse um excelente dia de verão, e com altas temperaturas como já era esperado.


Continuavamos a ter que abrir portões ou então a ter que saltar vedações.
Convento de Santa Maria de Aguiar (tem uma hospedaria)

Após uns bons kms a rolar aqui já todos sabiamos que estava para vir uma boa subida mas só quando chegamos mais perto é que deu para perceber que era bem inclinada. Facilitou um pouco a parte final ser em alcatrão.

Castelo Rodrigo

A nossa passagem foi muito breve pois o dia ia ser longo mas ainda deu para perceber que é uma aldeia bem estruturada.

O 1º furo, um rasgão lateral que foi resolvido com a colocação de uma câmara com líquido. O ideal para estas aventuras é mesmo o tubless e ter a precaução de nas vésperas atestar de líquido uma vez que no verão com as altas temperaturas este seca muito mais depressa.

Após esta avaria fizemos uma descida vertiginosa (uns bons kms de alcatrão) até à Ponte da União. Estavamos num buraco bem fundo e para sair dele seguiu-se uma subida com cerca de 3kms e 250m de desnível acumulado.

Estavamos completamente independentes no que diz respeito a comunicações LOL



Após terminarmos a subida o pneu de trás do Rui Martins pregava-nos um grande susto, estoirou. Ou ficou mal encaixado ou levava pressão a mais. Felizmente aconteceu numa subida em que a velocidade era reduzida...
Mesmo assim a boa disposição era patente no grupo...o Vitor aproveitava para provocar o Rui. Daqui seguimos para Marialva onde pretendiamos fazer uma paragem mais prolongada.

Os trilhos foram bastante diversificados.

Água aditivada...reparem no fundo do garrafão. Mesmo assim só podemos agradecer pela gentileza de nos terem oferecido esta água. Na 1ª oportunidade tratamos de voltar a encher os bidons :)


Marialva

Por vezes tivemos que aproveitar o que a terra nos dá. Mesmo que essa terra fosse a horta de alguém :) Quando faziamos ideia de comer em Marialva deparamo-nos com uma aldeia semi deserta, o Castelo fechado e nos cafés a oferta era à base de batatas fritas e cerveja pelo que rapidamente nos pusemos a caminho na esperança de encontrar algo melhor.

Se tivesse visto esta carroça ainda tinha pedido uma maçaroca de milho.

Após quase 1h depois de termos partido de Marialva e com um desvio no percurso de cerca de 3km encontravamos no Rabaçal junto ao IP2 um restaurante onde fomos muito bem servidos.


Este cavalheiro ainda nos convidou para ir experimentar o vinho dele...a esta hora do dia já estava bastante bem disposto e graças a ele aprendemos uns gracejos que nos acompanharam até ao fim da aventura :) Allez, allez, allez...

O calor não dava tréguas e ainda tinhamos um longo caminho a percorrer, agora um pouco mais devagar porque o estômago ia cheio. As paisagens continuavam deslumbrantes.

A etapa de hoje viria a ser a mais longa, com mais 10% da quilometragem esperada para este dia...talvez para compensar o bónus do dia anterior LOL Nenhum de nós estava à espera deste bónus :)

O desafio final deste dia. Uma calçada com cerca de 1.5km e 160m de desnível que termina no largo principal de Linhares e nos deixou com a sensação de missão cumprida.

O nosso alojamento. Atenção que existem outras ofertas (preços similares) e com o pequeno-almoço incluído o que acaba por ser importante na gestão do tempo e no alivio que é não ter que estar a pensar nestes pormenores no fim de um dia tão cansativo.




Às 4ª feiras o único restaurante de Linhares está fechado. A dona da casa onde ficamos foi muito atenciosa em nos emprestar esta raridade para podermos ir jantar a Folgosinho onde comemos e bebemos à descrição por 14€, ainda aproveitamos e providenciamos mantimentos para o pequeno-almoço do dia seguinte.
Neste dia tivemos a companhia (jantar) de mais 3 aventureiros que também estavam a fazer a GR22 (outro track) e tinham iniciado o percurso no sábado. Daqui, também seguiam para Piodão, até porque no sentido que estavamos a fazer a rota não há outras alternativas por forma manter o equilibrio das etapas. Estes 3 "malucos" a andar 1h, 2 ou 3 vezes por semana e apenas um mês antes lançaram-se nesta aventura...no dia seguinte apenas 2 seguiram caminho.

O sorriso malandro!!! O motor ainda deve estar quente LOL
Rest. O Albertino - Folgosinho

Por hoje já chega, são 4h da manhã. Este está a ser o rescaldo mais trabalhoso que fiz aqui no blog. Fazer seleção de fotos, carregá-las no picasa, carregá-las no blog, redimensionar, colocar por ordem, trabalhar com 2 e 3 browsers diferentes...estou a levar quase tanto tempo quanto demorei a pedalar LOL já ando nisto à mais de 1 mês mas também acho que o produto final vai conseguir transportar todos os leitores diretamente até à GR22, muito por culpa (incentivo) das imensas fotos que o Rui e o David tiraram...torna-se muito dificil fazer a escolha de entre cerca de 1000 fotos :)

O David Ramalhete no ritual habitual ao fim do dia...esqueceu-se de tirar os pernitos :) Este dia acabou por correr muito bem pois por volta das 17h30 já tinhamos chegado ao nosso destino. Por esta altura o corpo já pedia mais tempo de descanso mas também já só faltava um dia...

...deixa-me virar a entrada para o sol

Simbolos de muita resistência

Piodão é de facto uma aldeia muito bonita.

Parte do nosso jantar que tem uma história engraçada...depois de pagarmos a estadia fui à procura do restaurante para fazer as reservas caso fosse conviniente e ficamos a saber que não havia MB...nós também já não tinhamos €€€ connosco porque tinhamos acabado de pagar a estadia. Felizmente a dona da casa foi muito simpática e teve confiança (estava desconfiada) em nós para nos devolver o dinheiro e assim lá conseguimos jantar e o pagamento da estadia foi feito por transferência.
Nem me ocorreu na altura mas até podíamos ter pedido uma boleia até ao MB mais próximo e resolviamos a questão Daahhhhhh :)

Brrrrr, ando sempre com uma mantinha para as ocasiões LOL Só faltava o calção rosa choque :)

5º Dia

O dia ainda não tinha nascido, que sossego!


Góis, a ultima partida.

Mais uma dura manhã. Começámos logo por subir 660m em cerca de 10km. A maioria do trilho era estradão, com gravilha solta.



Foi neste trilho que sem me aperceber perdi os óculos...não justificavam voltar atrás. P'ra frente é o caminho :)

Sempre prontos para posar para mais uma foto

O cenários das eólicas continuava num sobe e desce constante.

As descidas bastante rápidas e cheias de pedra acabaram por fazer estragos. Um snake bite na roda de trás do David que no dia anterior já tinha acabado o dia furado e teve que recorrer a câmara de ar.
Nota: Os Kenda UST não podem levar líquido. Formam bolhas, deformam e podem mesmo rebentar.

Depois do David chegava a vez do Vitor que também já tinha furado neste dia mas o líquido fez o seu trabalho. O seu Kenda UST da roda traseira ganhou uma bolha enorme e felizmente isso aconteceu quando rolavamos no alcatrão e preparavamo-nos para parar/abastecer. Trocou-se o pneu e colocou-se câmara e estavamos prontos para seguir caminho. Com todos estes imprevistos a progressão estava a ser muito lenta...

Nova paragem forçada para encaixar o pneu no aro e os sorrisos voltavam aos rostos que antes pareciam desanimar :)


Será que vem aí alguma manada em sentido contrário?

Ouuhhuu, ouuhhuu! Mais uma das muitas descidas rápidas e inclinadas que me deixavam com a mochila colada ao capacete LOL

Nada de especial, apenas mais um furo. Esgotavamos o stock de 5 câmaras c/ líquido e ainda faltavam uns kms.

Por esta altura entravamos na Serra da Gardunha e racionavamos a água e barras :) Desesperavamos pela civilização...

Os estradões rápidos e intermináveis

Voltavamos a reencontrar os nossos parceiros já muito desgastados

Ainda não tinha acabado mas cada subida podia ser encarada como uma conquista. por esta altura o Vitor continuava na sua demonstração de força pois era o único que permanecia montado.

Até parece brincadeira, ou não podia ser mais apropriado...passaram mais de 3h mas finalmente chegavamos ao Oásis!!!

Muito, mas muito mais animados!

A ultima subida e já estavamos de volta a Castelo Novo

De volta ao mundo real. Acabava-se a aventura!!!

Venha a próxima...


Chegou ao fim esta grande aventura. Foram 5 dias muito intensos em que o companheirismo foi importante para o sucesso da mesma.
Se me perguntarem se voltaria a fazer eu diria imediatamente que sim mas ou em 7 dias ou com carro de apoio. 5 dias com mochila às costas provavelmente não quereria repetir :)
Um abraço e até à próxima
Rui Luz