Esta posso garantir que foi uma grande aventura. Bastante divertida, um passeio daqueles que realmente me motivam nestas andanças do BTT. Foram 5 dias a pedalar com mochila às costas seguindo um track, com objectivos diários de chegar aos destinos reservados para a pernoita.
Deste grupo espectacular fizeram parte 3 membros dos CBT (Casa do Benfica de Tomar) Vitor Campos, Rui Martins, David Ramalhete e eu que não necessito de apresentações :)
O trabalho de casa coube ao Rui Martins, divisão do percurso, reserva das pernoitas, etc... assim à distância foi um trabalho sem nada a apontar e a ele temos que agradecer pela sua disponibilidade em tê-lo feito pois a nós coube-nos apenas e só pedalar :)
Etapas / Distância / Acumulado
Estes foram os dados que o meu GPS acusou ao fim de cada etapa e inclui desvios da rota pois por vezes a fome obrigou-nos a isso pelo que convém andar sempre prevenido com algo mais substancial como uma sandes de presunto/carne e alguma fruta na mochila.
Nestes passeios longos (por etapas) eu considero que o primeiro e o ultimo dia são os mais excitantes. O primeiro por estar cheio de adrenalina para começar, as forças estão ao rubro, os sentidos atentos a tudo o que nos rodeia e as adversidades superadas com maior discernimento. O ultimo dia é o da "consagração", venha o que vier, estamos por tudo pois percorremos um longo caminho e não queremos "morrer na praia", por instantes deixamos de sentir que o corpo está cansado e voltamos a encher-nos de energia...o peso da mochila rapidamente nos devolve à realidade LOL
Restaurante D. Sancho
Fotos de Sortelha
2º Dia
O pequeno-almoço
O primeiro contacto com o selim logo pela manhã foi extremamente penoso, diz-se que quem corre por gosto não cansa e essa é a pura das mentiras porque cansa, ficamos todos doridos e em alguns casos bastante assados!
Os primeiros kms do dia foram rolantes pelo facto de termos optado por fazer por alcatrão o desvio que tinhamos feito até Sortelha (cerca de 8km) e que já não tinha nada de novo para ver e assim em menos de 1h chegamos a Sabugal.
Passagem por Sabugal
Seguindo caminho apanhamos uma parte bastante rolante, com inclinação descendente até chegarmos ao "buraco" onde nos deparamos com mais um cenário deslumbrante.
Para sair do buraco nova ascensão de 220m. Teoricamente ainda nos faltava 10km para chegar a Almeida mas para nossa satisfação foi com agrado que na povoação seguinte ficamos a saber que...
...em Almeida estóis vós!!!A fome e sede eram tantas que a primeira coisa que eu e o Rui Martins fizemos foi "assaltar" o mini mercado com os nossos foguetes LOL
3º Dia
O pequeno-almoço foi bastante reforçado pois sabia que este iria ser um longo dia e como na véspera até fizemos algumas compras em excesso acabamos por deixar coisas para trás.
Convento de Santa Maria de Aguiar (tem uma hospedaria)

Após uns bons kms a rolar aqui já todos sabiamos que estava para vir uma boa subida mas só quando chegamos mais perto é que deu para perceber que era bem inclinada. Facilitou um pouco a parte final ser em alcatrão.

Castelo Rodrigo

A nossa passagem foi muito breve pois o dia ia ser longo mas ainda deu para perceber que é uma aldeia bem estruturada.

Após esta avaria fizemos uma descida vertiginosa (uns bons kms de alcatrão) até à Ponte da União. Estavamos num buraco bem fundo e para sair dele seguiu-se uma subida com cerca de 3kms e 250m de desnível acumulado.
Estavamos completamente independentes no que diz respeito a comunicações LOL



Água aditivada...reparem no fundo do garrafão. Mesmo assim só podemos agradecer pela gentileza de nos terem oferecido esta água. Na 1ª oportunidade tratamos de voltar a encher os bidons :)

Marialva

Se tivesse visto esta carroça ainda tinha pedido uma maçaroca de milho.
Após quase 1h depois de termos partido de Marialva e com um desvio no percurso de cerca de 3km encontravamos no Rabaçal junto ao IP2 um restaurante onde fomos muito bem servidos.


O calor não dava tréguas e ainda tinhamos um longo caminho a percorrer, agora um pouco mais devagar porque o estômago ia cheio. As paisagens continuavam deslumbrantes.





As descidas vertiginosas. Por vezes tinha que parar para descansar um pouco os braços mas os dois ultimos dias ainda iam ser piores uma vez que as inclinações eram mais acentuadas e a mochila ao deslizar para cima do capacete atrapalhava a visão e tornava-se bastante incómodo.
Este deve ter sido o ultimo sorriso que dei neste dia :( a certa altura deu-me uma quebra em que fui mesmo obrigado a parar, tirar a mochila e deitar-me no chão. Senti-me completamente sem forças, o corpo a tremer...não sei o que se passou mas veio de repente e se tenho teimado seguir talvez tivesse acabado por me estatelar no chão sem me aperceber o que se tinha passado. A partir daqui fui num esforço imenso até Linhares que teimava em não aparecer.
A etapa de hoje viria a ser a mais longa, com mais 10% da quilometragem esperada para este dia...talvez para compensar o bónus do dia anterior LOL Nenhum de nós estava à espera deste bónus :)
O desafio final deste dia. Uma calçada com cerca de 1.5km e 160m de desnível que termina no largo principal de Linhares e nos deixou com a sensação de missão cumprida.
O nosso alojamento. Atenção que existem outras ofertas (preços similares) e com o pequeno-almoço incluído o que acaba por ser importante na gestão do tempo e no alivio que é não ter que estar a pensar nestes pormenores no fim de um dia tão cansativo.




O sorriso malandro!!! O motor ainda deve estar quente LOL
Rest. O Albertino - Folgosinho
Por hoje já chega, são 4h da manhã. Este está a ser o rescaldo mais trabalhoso que fiz aqui no blog. Fazer seleção de fotos, carregá-las no picasa, carregá-las no blog, redimensionar, colocar por ordem, trabalhar com 2 e 3 browsers diferentes...estou a levar quase tanto tempo quanto demorei a pedalar LOL já ando nisto à mais de 1 mês mas também acho que o produto final vai conseguir transportar todos os leitores diretamente até à GR22, muito por culpa (incentivo) das imensas fotos que o Rui e o David tiraram...torna-se muito dificil fazer a escolha de entre cerca de 1000 fotos :)
A manhã acordou bastante cinzenta e muito mais fresca que o habitual mas não tardou muito a que se pusesse um excelente dia de verão, e com altas temperaturas como já era esperado.
Continuavamos a ter que abrir portões ou então a ter que saltar vedações.
Após uns bons kms a rolar aqui já todos sabiamos que estava para vir uma boa subida mas só quando chegamos mais perto é que deu para perceber que era bem inclinada. Facilitou um pouco a parte final ser em alcatrão.
Castelo Rodrigo
A nossa passagem foi muito breve pois o dia ia ser longo mas ainda deu para perceber que é uma aldeia bem estruturada.
O 1º furo, um rasgão lateral que foi resolvido com a colocação de uma câmara com líquido. O ideal para estas aventuras é mesmo o tubless e ter a precaução de nas vésperas atestar de líquido uma vez que no verão com as altas temperaturas este seca muito mais depressa.
Após terminarmos a subida o pneu de trás do Rui Martins pregava-nos um grande susto, estoirou. Ou ficou mal encaixado ou levava pressão a mais. Felizmente aconteceu numa subida em que a velocidade era reduzida...
Mesmo assim a boa disposição era patente no grupo...o Vitor aproveitava para provocar o Rui. Daqui seguimos para Marialva onde pretendiamos fazer uma paragem mais prolongada.
Mesmo assim a boa disposição era patente no grupo...o Vitor aproveitava para provocar o Rui. Daqui seguimos para Marialva onde pretendiamos fazer uma paragem mais prolongada.
Por vezes tivemos que aproveitar o que a terra nos dá. Mesmo que essa terra fosse a horta de alguém :) Quando faziamos ideia de comer em Marialva deparamo-nos com uma aldeia semi deserta, o Castelo fechado e nos cafés a oferta era à base de batatas fritas e cerveja pelo que rapidamente nos pusemos a caminho na esperança de encontrar algo melhor.
Este cavalheiro ainda nos convidou para ir experimentar o vinho dele...a esta hora do dia já estava bastante bem disposto e graças a ele aprendemos uns gracejos que nos acompanharam até ao fim da aventura :) Allez, allez, allez...
Às 4ª feiras o único restaurante de Linhares está fechado. A dona da casa onde ficamos foi muito atenciosa em nos emprestar esta raridade para podermos ir jantar a Folgosinho onde comemos e bebemos à descrição por 14€, ainda aproveitamos e providenciamos mantimentos para o pequeno-almoço do dia seguinte.
Neste dia tivemos a companhia (jantar) de mais 3 aventureiros que também estavam a fazer a GR22 (outro track) e tinham iniciado o percurso no sábado. Daqui, também seguiam para Piodão, até porque no sentido que estavamos a fazer a rota não há outras alternativas por forma manter o equilibrio das etapas. Estes 3 "malucos" a andar 1h, 2 ou 3 vezes por semana e apenas um mês antes lançaram-se nesta aventura...no dia seguinte apenas 2 seguiram caminho.
Neste dia tivemos a companhia (jantar) de mais 3 aventureiros que também estavam a fazer a GR22 (outro track) e tinham iniciado o percurso no sábado. Daqui, também seguiam para Piodão, até porque no sentido que estavamos a fazer a rota não há outras alternativas por forma manter o equilibrio das etapas. Estes 3 "malucos" a andar 1h, 2 ou 3 vezes por semana e apenas um mês antes lançaram-se nesta aventura...no dia seguinte apenas 2 seguiram caminho.
4º Dia
O pequeno-almoço dos zombies, a certa altura parecia que nem forças tinhamos para comer apesar da fome... Iamos ter um longo dia de subidas pela frente e muita energia ia ser necessária para ultrapassar esta etapa de montanha.
Linhares ficava para trás e começava um dia de dureza. Os fotógrafos estiveram sempre por perto.





Garanto que esta fonte no verão tem a água mais fresca que o meu frigorífico no inverno e só com muito, muito calor é que arriscava molhar ali as pernas
As paisagens em redor tinham mudado completamente para a dos dias anteriores. Estavamos no Parque Natural da Serra da Estrela e montanhas imensas faziam-nos sentir minúsculos ao mesmo tempo que enormes gigantes por as irmos conquistando.

As paragens eram frequentes pois em 22km o desnível acumulado foi cerca de 1000m. Quem nos tirou esta foto foi um dos rapazes do outro grupo e eu devo salientar que eles foram corajosos em aventurarem-se nesta "selva" parecia que iam em peregrinação, as subidas sempre a pé e mesmo assim conseguiram manter um espírito de aventura e sacrifício que não os deixou quebrar.




Em alguns locais estivemos acima das nuvens ou acima do fumo dos fogos que lavravam nos arredores...felizmente não passamos perto de nenhum.
Barragem de Vale Rossim
Esta paragem ficava desviada do track mas tínhamos mesmo que parar, precisavamos abastecer, comer, comer e respirar um pouco.



Após aquela breve paragem passavamos para um cenário um pouco diferente. Trilhos mais arborizados e com algumas zonas mais técnicas à mistura com um ou outro topo mais inclinado que por vezes fazia-nos abrandar o ritmo mas na sua maioria os trilhos até foram mais rolantes.


Sabugueiro
Por esta altura parece-me que íamos sempre a contornar as montanhas.
Após termos deixado passar umas oportunidades para voltar a comer algo mais sólido e quando pensavamos que iriamos voltar a passar perto de povoações tal não veio a acontecer pelo que a certa altura fomos mesmo forçados a parar para comer as sandes que tínhamos de "reserva". Eu diria que neste tipo de viagens é impossível fazer um plano 100% fiável e segui-lo para que tudo corra da forma que queremos. O melhor mesmo é andar sempre prevenido.





E o burro sou eu!!!
Vide
Certamente a subida mais dura de toda a GR22. Cerca de 6km em que a grande maioria foi feita a pé e o desnível acumulado foi de 660m!!!
Isto foi só o começo! Até parecia fácil LOL

Mete a Talega agora :)
Depois de mais um duro dia estavamos quase a chegar ao nosso destino, Piodão. Já só faltavam
10km e a sua maioria a descer.



O nosso alojamento
O pequeno-almoço dos zombies, a certa altura parecia que nem forças tinhamos para comer apesar da fome... Iamos ter um longo dia de subidas pela frente e muita energia ia ser necessária para ultrapassar esta etapa de montanha.
Esta paragem ficava desviada do track mas tínhamos mesmo que parar, precisavamos abastecer, comer, comer e respirar um pouco.

Finalmente chegavamos a uma povoação onde pudemos abastecer e prepararmo-nos para o grande final deste dia... As pessoas muito simpáticas em querer perceber o que nós andavamos a fazer, de onde vinhamos e para onde íamos...
10km e a sua maioria a descer.
Nem me ocorreu na altura mas até podíamos ter pedido uma boleia até ao MB mais próximo e resolviamos a questão Daahhhhhh :)
Nota: Os Kenda UST não podem levar líquido. Formam bolhas, deformam e podem mesmo rebentar.

Se me perguntarem se voltaria a fazer eu diria imediatamente que sim mas ou em 7 dias ou com carro de apoio. 5 dias com mochila às costas provavelmente não quereria repetir :)
Um abraço e até à próxima
Rui Luz
Rui Luz