
Pelo 3º ano consecutivo participo naquela que é a maior "maratona" do país em BTT. Este ano foram 166km de trilhos bastantes rolantes e em que o tempo seco ajudou bastante a que o empeno não fosse significativo, claro que isto também não seria possível sem treinar/andar bastantes horas em cima da bicicleta. Se no ano passado tinha como objectivo tirar tempo ao ano anterior, este ano não levava esse objectivo, queria apenas terminar bem e de forma no dia seguinte participar no Raid de Arneiros sem "sofrimento".
Juntamos um grupo de 5 e rumamos na véspera até Beja, local onde pernoitamos. Temos a agradecer ao amigo Pimentel por à ultima hora ter conseguido esta excelente alternativa a termos que nos levantar às 3h da manhã para fazermos a viagem no próprio dia.
Às 6h15 da manhã quando nos preparávamos para arrancar para Serpa parecia que chovia devido à imensa humidade que havia no ar, por momentos parecia não fazer sentido a forte camada de protector solar com que havia barrado o corpo mas já se sabia que a previsão para este dia seria Sol e as temperaturas a rondar os 28º graus o que se veio a verificar a partir das 11h.
Ao chegarmos a Serpa fomos levantar os dorsais e o tempo já estava escasso para preparar as bicicletas e seguir para o Controlo zero.
Dada a partida o Pimentel e o David seguiram juntos pois estão habituados a circular em dupla, eu ainda andei algum tempo com o Vaqueirinho mas como o ritmo era elevado deixei-me ficar para trás e o Francisco também seguiu praticamente sozinho mas também com um ritmo mais elevado.
Como não levava nenhuma "pressão" relacionada com tempos ou classificações fui apreciando a paisagem que este ano me pareceu bem mais colorida que nos anos anteriores e fui conhecendo os participantes com quem partilhei a roda durante muitos kms, foi um convívio excelente.
Ao chegar às Minas de S. Domingos abrandei um pouco o ritmo pois apesar deste ano não ter a beleza do ano anterior em que escorria água por todo o lado não deixa de ser um local muito bonito e que também julgo que se irá tornar símbolo desta ultra-maratona.
Ao chegar à ZA3 às 11h22 com 78km percorridos estava o Pimentel/David/Francisco a arrancar. Sem stress mas também sem "adormecer" reabasteci a mochila, o bidon com coca-cola e engoli um tupperware de sopa ao que alguns participantes exlamavam: - Sopa! Que grande ideia! Foi uma paragem de 5 minutos, simples e eficaz, aqui o Vitor que me vinha a fazer companhia ficou para trás pois estava a "empanturrar-se" de massa e tinha apoio de familiares pelo que também não fazia sentido estar a apressá-lo. Segui sozinho durante alguns kms e ao km85 começo a aperceber-me de alguém que se aproximava demasiado rápido de mim e eu a pensar como seria possível!!! Era somente o Vitor Gamito que tinha furado/avariado logo no início da prova e que ao fim de já percorrida a distância equivalente a uma maratona ainda viria a dar-me qualquer coisa como 40" de avanço na 2ª metade da prova...até tem a sua piada!
Como já tinha feito esta prova 2 vezes sabia que para a 2ª metade da mesma teria que guardar a maioria das minhas forças, apesar de ser um percurso rolante com pouca dificuldade técnica a quantidade de horas que se passa a pedalar tornam-se o obstáculo/desafio maior. Andei muitos kms com pessoas/atletas impecáveis e outros que vêm no ciclismo/btt apenas o oportunismo de ir na roda a poupar energias para assim que possível deixar o adversário para trás. Neste capítulo fico muito satisfeito por ter conseguido deixar todos os oportunistas para trás mesmo quando eles já julgavam ter levado a melhor!
Fruto dos muitos kms que tenho feito ultimamente e de uma gestão eficaz durante toda a prova este ano foi muito mais fácil ultrapassar este desafio, para o ano que vem conto estar novamente presente pois esta é a única ultra em todo o país e algo muito diferente daquilo que se costuma fazer.
O
video do BTT-TV e as
classificaçõesUm abraço
Rui Luz